Defesa recorre ao STJ e pede soltura de Egídio após mais de dois anos de prisão no âmbito da Operação Indignus

Defesa recorre ao STJ e pede soltura de Egídio após mais de dois anos de prisão no âmbito da Operação Indignus

A defesa de Egídio de Carvalho Neto protocolou recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) solicitando a revogação da prisão preventiva do investigado, que já ultrapassa dois anos. Ele é alvo da chamada Operação INDIGNUS, que apura supostos crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa na Paraíba.

Segundo os advogados, Egídio está sob restrição de liberdade há cerca de 825 dias — inicialmente em regime fechado e, posteriormente, em prisão domiciliar por razões de saúde. A defesa sustenta que a duração da medida é excessiva e afronta o princípio constitucional da razoável duração do processo.

Processos travados e excesso de prazo

O recurso aponta que, apesar do tempo já transcorrido, parte significativa das ações penais ainda não avançou. Das dez ações abertas, ao menos seis não chegaram sequer à fase de instrução, etapa essencial para produção de provas.

Para a defesa, esse cenário reforça o argumento de constrangimento ilegal por excesso de prazo, já que a prisão preventiva, por natureza, deve ser excepcional e temporária.

Defesa rebate acusação de manobras protelatórias

Os advogados também contestam decisões anteriores que atribuíram à própria defesa responsabilidade pela demora, com base na Súmula 64 do STJ. No recurso, afirmam que os atrasos decorreram de fatores externos, entre eles:

  • dificuldades técnicas na análise de provas digitais;
  • redistribuições internas no Tribunal de Justiça da Paraíba;
  • adiamentos por questões médicas do investigado;
  • sobrecarga estrutural do Judiciário.

Ainda segundo a defesa, houve momentos de limitação de acesso aos autos, o que teria prejudicado o andamento regular dos processos.

Complexidade não justifica prisão indefinida

Embora decisões anteriores tenham apontado a complexidade da investigação como justificativa para a demora, a defesa argumenta que isso não pode servir como base para uma prisão preventiva por tempo indeterminado.

O recurso sustenta que a manutenção prolongada da medida cautelar, sem conclusão da fase de instrução, pode configurar antecipação de pena — o que é vedado pelo ordenamento jurídico.

Saúde e alegação de perseguição

Outro ponto central é a condição de saúde de Egídio, que já motivou a concessão de prisão domiciliar humanitária. A defesa afirma que o tratamento médico contínuo é incompatível com a prolongação da restrição de liberdade.

Os advogados também levantam a hipótese de “lawfare” — uso indevido do aparato judicial para perseguição — alegando que novas denúncias teriam sido apresentadas com base em fatos já considerados lícitos pela Justiça estadual.

O que está em jogo

No pedido ao STJ, a defesa requer:

  • revogação da prisão preventiva;
  • ou substituição por medidas cautelares menos gravosas.

O caso agora será analisado pelo STJ, que deverá decidir se houve ilegalidade na manutenção da prisão e se está configurado excesso de prazo na condução das ações penais.