NarcoFluxo: PF prende influenciadores, funkeiros e um empresário também foi preso na PB por esquema suspeito de lavar R$ 1,6 bilhão com MC Ryan SP e Poze

A Operação NarcoFluxo escancarou algo que muita gente desconfiava, mas poucos conseguiam provar: por trás de perfis com milhões de seguidores, ostentação e engajamento, pode existir uma engrenagem pesada de dinheiro ilegal.

A Polícia Federal não foi discreta. Foram 39 prisões temporárias e 45 mandados de busca em oito estados e no Distrito Federal. No centro disso tudo, um esquema que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão.

E não, não era só sobre música.


Influenciadores na linha de frente do esquema

Entre os presos estão o influenciador Raphael Sousa Oliveira, ligado à página Choquei, e Chrys Dias, que soma quase 15 milhões de seguidores.

Segundo a investigação, a estrutura usava justamente isso: alcance massivo.

A lógica era simples — e preocupante:

  • perfis populares davam visibilidade
  • rifas digitais e apostas ilegais atraíam dinheiro
  • empresas e operadores “limpavam” os valores

O resultado era um ciclo altamente lucrativo, com aparência de negócio legítimo.

A defesa de Raphael Oliveira afirma que sua atuação se limitava à venda de publicidade digital, negando envolvimento direto no esquema. Já a defesa de Chrys Dias não foi localizada.


O “núcleo financeiro” e o papel do empresário preso na Paraíba

O nome de Guilherme Ricardo Fuhr aparece como peça estratégica. Preso em João Pessoa, ele é apontado como integrante do chamado núcleo financeiro-empresarial da organização.

Segundo a PF, não era coadjuvante.

Era operador.

Fuhr seria responsável por:

  • usar empresas como Digito Intermediação e GRF Assessoria LTDA
  • movimentar dinheiro ilícito com aparência legal
  • estruturar operações para esconder a origem dos recursos

A investigação descreve métodos clássicos de lavagem:

  • fragmentação de valores
  • triangulação de transações
  • uso de empresas de fachada
  • circulação internacional de dinheiro
  • movimentação com criptoativos

Além disso, ele é apontado como financiador de despesas pessoais de MC Ryan SP, descrito como principal beneficiário econômico do esquema.


Funk, ostentação e suspeitas

Também foram presos MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, dois nomes fortes do funk nacional.

As defesas reagiram:

  • MC Ryan afirma que todas as movimentações têm origem comprovada
  • MC Poze diz que ainda não teve acesso ao processo e promete se manifestar

Poze foi preso dentro de casa, em um condomínio de luxo no Rio de Janeiro — cenário que contrasta com a origem de boa parte do público que consome esse conteúdo.


Muito além do entretenimento

O que a Polícia Federal descreve não é improviso. É estrutura.

Um sistema que mistura:

  • tráfico de drogas
  • jogos de azar
  • rifas digitais
  • influência nas redes sociais

Tudo embalado como entretenimento.

Durante as buscas, foram apreendidos:

  • veículos
  • dinheiro em espécie
  • equipamentos eletrônicos
  • armas

E um detalhe simbólico: um colar com a imagem de Pablo Escobar, figura que virou ícone justamente desse tipo de narrativa onde crime e ostentação se confundem.


O que vem agora

As investigações continuam, e os envolvidos podem responder por:

  • associação criminosa
  • lavagem de dinheiro
  • evasão de divisas