O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha com a expectativa de que os Estados Unidos confirmem uma nova rodada de tarifas sobre produtos brasileiros. A decisão é aguardada para esta quarta-feira (15), quando o governo brasileiro pretende analisar oficialmente quais setores serão atingidos antes de definir eventuais medidas de resposta.
Segundo integrantes do Executivo, a política comercial da administração do presidente Donald Trump tem sido considerada imprevisível, o que dificulta qualquer planejamento antecipado. Por esse motivo, o Palácio do Planalto decidiu evitar manifestações públicas sobre possíveis retaliações até conhecer o conteúdo definitivo da decisão norte-americana.

Entre as medidas em análise pelos Estados Unidos está a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, resultado de uma investigação comercial iniciada em julho de 2025, baseada em alegações de práticas comerciais consideradas desleais. Também está prevista uma tarifa de 12,5% relacionada a questionamentos sobre a importação de produtos produzidos com trabalho forçado em cadeias globais.
A avaliação técnica do governo brasileiro é que a utilização da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974, fortalece juridicamente a posição adotada por Washington, tornando mais complexo um eventual questionamento da medida.
Apesar da expectativa pela decisão, o governo brasileiro acredita que as negociações diplomáticas poderão continuar após o anúncio oficial. O Planalto mantém a estratégia de limitar as conversas ao campo comercial, evitando que o debate inclua temas políticos ou decisões do Judiciário brasileiro.
O governo também reafirma que determinados assuntos permanecem fora das negociações, como o sistema de pagamentos Pix, o comércio de etanol e os acordos comerciais firmados pelo Brasil com países como México e China. A posição oficial é de que não haverá revisão desses compromissos para atender às demandas dos Estados Unidos.
O episódio representa mais um capítulo nas tensões comerciais entre Brasília e Washington, em um cenário marcado pelo aumento das disputas tarifárias e pela tentativa dos dois países de preservar canais de negociação enquanto buscam reduzir os impactos econômicos para seus respectivos setores produtivos.