Ministério Público recebe  denúncia e conclui que Prefeitura de Rio Tinto  burlou regras de licitação em contratações de tendas, mesas e cadeiras com gastos 518% maiores

O Ministério Público de Contas da Paraíba (MPC-PB) emitiu parecer pela procedência de uma denúncia contra a Prefeitura de Rio Tinto, administrada pela prefeita Magna Celi Fernandes Gerbasi, ao identificar indícios de fracionamento de despesas, ausência de planejamento, contratações diretas irregulares e dispensa indevida de licitação na locação de tendas, mesas e cadeiras entre os anos de 2021 e 2024.

Assinado pelo procurador Bradson Tibério Luna Camelo, o parecer pede ao Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) a aplicação de multa à gestora e recomenda que o município passe a realizar licitações para esse tipo de contratação, além da implantação do Plano de Contratações Anual (PCA).

Gastos dispararam 518%

A auditoria do TCE identificou que os gastos com locação de tendas, mesas e cadeiras saltaram de R$ 111.973,57, registrados na gestão anterior (2017-2020), para R$ 692.445,00 entre 2021 e 2024, representando um crescimento de 518%. Segundo o parecer, praticamente todas as contratações ocorreram por meio de dispensas de licitação.

O documento afirma ainda que as contratações diretas ultrapassaram em R$ 522.271,98 o limite permitido pela legislação, caracterizando fracionamento de despesas para evitar a realização de procedimento licitatório.

Auditoria aponta falta de planejamento

Outro ponto destacado é a inexistência de planejamento para aquisições de bens considerados comuns e de demanda previsível.

Segundo o MPC, tendas, mesas e cadeiras deveriam ter sido contratadas mediante licitação, preferencialmente por pregão, garantindo maior competitividade, economia aos cofres públicos e respeito aos princípios da administração pública. O parecer ressalta que a utilização sucessiva de dispensas de licitação demonstra falhas de gestão e afronta às normas previstas em lei

Empenhos sem detalhamento

A auditoria também registrou que diversos empenhos apresentavam descrição genérica, sem informar quantidade de equipamentos locados, datas de utilização ou período da contratação, o que dificulta a comprovação da efetiva prestação dos serviços e da correta liquidação das despesas.

Nepotismo não foi comprovado

Embora a denúncia também apontasse possível favorecimento de familiares da prefeita nas contratações, o Ministério Público de Contas concluiu que não foram encontradas provas suficientes para sustentar a acusação de nepotismo.

O parecer destaca que um dos citados prestou serviços apenas à gestão anterior e que, em relação ao outro nome mencionado, não houve comprovação documental do vínculo familiar alegado pelo denunciante.

O que o MPC pede ao TCE

No parecer, o Ministério Público de Contas requer ao Tribunal de Contas da Paraíba:

  • o conhecimento da denúncia;
  • a procedência das irregularidades;
  • aplicação de multa à prefeita Magna Celi Fernandes Gerbasi;
  • recomendação para implantação do Plano de Contratações Anual (PCA) e realização de licitações para objetos de natureza contínua;
  • anexação das conclusões ao processo de prestação de contas da gestora referente aos exercícios analisados.