Após conquistar um quarto mandato presidencial histórico, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve contar com o Supremo Tribunal Federal (STF) como um pilar de sustentação governamental nos próximos quatro anos. A avaliação do entorno do presidente e da própria Corte é que o tribunal formará uma maioria alinhada ao Palácio do Planalto, servindo de contraponto a um Congresso Nacional com perfil ainda mais à direita.
Novas indicações ao Supremo
Ao longo de seu quarto mandato, Lula indicará pelo menos três novos ministros para o STF. Entre a base governista, ganha força a expectativa de emplacar o ex-senador e atual integrante do Tribunal de Contas da União (TCU), Rodrigo Pacheco, para uma das vagas ainda neste ano. A intenção é aproveitar a atual composição do Senado Federal, considerada menos conservadora do que a configuração resultante das eleições de 2026.
Há ainda a articulação para uma eventual quarta indicação. Para que isso ocorra, seria necessária a antecipação da aposentadoria do ministro Gilmar Mendes, que atinge a idade limite em 30 de dezembro de 2030 — data próxima ao fim do mandato, o que dificultaria a aprovação de um sucessor a tempo.
Relação com o STF e pressão no Congresso

Embora persista uma ala no tribunal mais refratária ao Executivo — reflexo das críticas de campanha feitas por Lula a ministros como André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli —, a projeção interna no STF é de uma maioria folgada favorável ao governo.
Mesmo com a pressão contínua da oposição pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, o Palácio do Planalto não vê o cenário como inteiramente desfavorável, dado que eventual vacância abriria espaço para mais uma indicação presidencial.
O STF como garantidor da estabilidade
Diante de uma frente parlamentar adversa, o Planalto enxerga o STF como peça fundamental para assegurar a governabilidade, sobretudo em matérias econômicas e regulatórias. A atuação do tribunal deve repetir o papel de sustentação desempenhado em mandatos anteriores, nos quais decisões estratégicas da Corte ajudaram a blindar decretos e medidas fiscais do governo federal.
