ALERTA VERMELHO: Inadimplência das famílias bate recorde e chega a 8% em agosto, aponta Banco Central

A inadimplência das famílias brasileiras no crédito livre chegou a 8% em agosto de 2026, o maior nível da série histórica do Banco Central, iniciada em março de 2011. O dado foi divulgado nesta terça-feira (29) e revela uma nova deterioração na capacidade de pagamento dos consumidores.

Na prática, o indicador significa que, a cada R$ 100 em operações de crédito livre, R$ 8 estavam com atraso superior a 90 dias. Em julho, a taxa era de 7,8%, o que representa uma alta de 0,2 ponto percentual em apenas um mês. Em 12 meses, o avanço foi de 1 ponto percentual.

Endividamento também permanece elevado

O problema não se limita aos atrasos. Os dados do Banco Central mostram que, em julho, o estoque das dívidas das famílias equivalia a 49,9% da renda acumulada em 12 meses, percentual que igualou o recorde da série histórica.

O comprometimento da renda com o pagamento de parcelas, juros e amortizações ficou em 28,7%, também no maior patamar da série.

O cenário mostra uma combinação de fatores que pressiona o orçamento doméstico: famílias altamente endividadas, custo elevado do crédito e aumento dos atrasos nos pagamentos.

Cartão de crédito concentra pressão

Entre as modalidades de crédito, o rotativo do cartão apresentou inadimplência de 66,2% em agosto, acima dos 65,5% registrados em julho. O percentual também representa recorde na série específica do Banco Central.

O consignado para trabalhadores do setor privado chegou a 10,6%, ante 10% no mês anterior, igualmente atingindo o maior nível da série para essa modalidade.

No conjunto do sistema financeiro, a inadimplência ficou em 5%, enquanto entre as pessoas físicas alcançou 6%. Entre as empresas, o indicador ficou em 3,3%.

Crédito cresce, mas capacidade de pagamento preocupa

Os números colocam um contraste no cenário do crédito brasileiro: a oferta de empréstimos continua avançando, mas uma parcela maior dos consumidores está tendo dificuldades para honrar os compromissos assumidos.

O Banco Central também registrou aumento dos juros cobrados das famílias em determinadas modalidades, o que pode elevar o custo das renegociações e dificultar a saída de consumidores do ciclo de endividamento.