Presidente do banco reage em CPMI, nega irregularidades e critica ordem de devolução de valores — mas pressão aumenta sobre práticas no consignado
O discurso de “tudo dentro da lei” já não parece suficiente para conter a crise envolvendo o Banco C6. Durante depoimento na CPMI do INSS nesta quinta-feira (19), o presidente do C6 Consignado, Artur Ildefonso Brotto Azevedo, adotou um tom defensivo ao rebater a decisão do INSS que suspendeu novos empréstimos da instituição e determinou a devolução de valores cobrados de beneficiários.

Azevedo insistiu que o banco “sempre atuou dentro das regras”, citando conformidade com o Banco Central e a legislação. Mas, na prática, o que está em jogo vai além da formalidade: trata-se da forma como produtos adicionais foram oferecidos a aposentados e pensionistas — público historicamente vulnerável nesse tipo de operação.
Segundo o executivo, serviços como seguro de vida, assistência funeral e pacotes de benefícios eram opcionais, contratados separadamente e pagos à vista. A versão, porém, levanta questionamentos: se tudo era tão claro e independente, por que o próprio banco decidiu suspender a oferta desses produtos ainda em novembro de 2025 após reação contrária do INSS?
A resposta do presidente não convenceu completamente. Ele alegou que não havia proibição explícita, mas admitiu que a instituição recuou diante da pressão. Agora, tenta reverter o prejuízo — inclusive contestando a exigência de devolução integral dos valores.
“Não nos parece correto devolver valores contratados legalmente”, afirmou. A declaração, no entanto, pode soar desconectada da realidade de milhares de beneficiários que alegam não ter compreendido plenamente o que estavam contratando.
O caso já chegou à Justiça, e o banco afirma que vai acatar a decisão final. Até lá, o episódio segue alimentando desconfiança sobre práticas no mercado de crédito consignado — especialmente quando envolve cobranças adicionais travestidas de “benefícios”.
Nos bastidores da CPMI, a avaliação é que o depoimento marca apenas o início de um cerco maior às instituições financeiras que operam com aposentados. E, no centro dessa tempestade, o C6 tenta sustentar uma narrativa de legalidade enquanto enfrenta um desgaste crescente de imagem.