Tem hora que a conta não fecha — e no Piauí resolveram encarar isso de frente. A Prefeitura de Angical do Piauí cancelou um show de Léo Santana que custaria cerca de R$ 650 mil. O motivo é simples e direto: passou do limite.

A decisão veio depois que a Associação Piauiense dos Municípios bateu o martelo e criou um teto de R$ 350 mil para contratação de artistas com dinheiro público. Passou disso, não tem show. Sem exceção.
Na prática, foi um puxão de freio coletivo. Prefeitos discutiram valores, ajustaram expectativas e chegaram a um consenso. Pode até doer no calendário festivo, mas a lógica é clara: evitar exagero enquanto áreas básicas seguem pressionadas.
E não foi do nada. O Tribunal de Contas do Piauí já vinha dando recado, especialmente quando cidades em situação de emergência estavam gastando pesado com shows. A recomendação era priorizar o essencial. Agora virou regra.
Enquanto isso, do lado de cá…
Na Paraíba, a realidade ainda é outra. A Federação das Associações de Municípios da Paraíba não adotou um teto semelhante até agora. Resultado: cada prefeitura segue decidindo por conta própria quanto vale gastar — inclusive em eventos com cachês que muitas vezes ultrapassam facilmente a casa dos seis dígitos.
A diferença de postura chama atenção. De um lado, um estado tentando padronizar e conter gastos. Do outro, uma liberdade que, na prática, abre espaço para excessos — principalmente em cidades pequenas, onde o impacto no orçamento é muito maior do que o brilho do palco.
No Piauí, o recado foi dado sem rodeio: festa tem limite.
Na Paraíba, por enquanto, o volume ainda parece mais alto que o controle.
No fim, fica a pergunta que muita gente evita fazer em voz alta: até onde o show compensa… e quem paga essa conta depois?
