Pesquisa recente coloca ex-prefeito de Patos entre os nomes com maior rejeição na disputa pelo Senado; investigações e controvérsias envolvendo sua gestão ampliam o debate sobre a imagem do candidato
A corrida pelas duas vagas da Paraíba no Senado começa a revelar não apenas quem aparece na preferência do eleitorado, mas também quais nomes enfrentam maior resistência. E, nesse cenário, o ex-prefeito de Patos e candidato ao Senado Nabor Wanderley aparece entre os candidatos com maior índice de rejeição.
O dado chama atenção porque a eleição para o Senado será disputada em um ambiente no qual a rejeição pode ter peso decisivo. Diferentemente de uma eleição majoritária para apenas uma vaga, o eleitor paraibano escolherá dois senadores, o que torna ainda mais importante a capacidade de cada candidato de ampliar sua votação para além de seu núcleo político tradicional.
O peso de Patos e da imagem política
Nabor carrega uma trajetória política construída principalmente a partir de Patos, onde exerceu a Prefeitura por diferentes períodos. Também foi deputado estadual e, em 2026, deixou o comando do município para disputar uma das vagas ao Senado.
É justamente sua passagem pela administração municipal que passou a ocupar espaço no debate eleitoral.
Nos últimos meses, órgãos de controle e o Ministério Público passaram a analisar diferentes questões relacionadas à gestão de Nabor. Entre elas está um inquérito civil do Ministério Público da Paraíba sobre o Programa de Atenção à Primeira Infância, além de procedimentos envolvendo contratações e questões tributárias da Prefeitura de Patos.
Mais recentemente, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba tornou pública uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral que envolve Nabor e o deputado Hugo Motta. O processo examina a destinação de recursos de emendas e pode ter consequências eleitorais caso a Justiça reconheça irregularidades. Até o momento, porém, trata-se de investigação, e não de condenação.
A família Motta-Wanderley também entra no debate
A trajetória política de Nabor está diretamente associada ao grupo liderado pelo filho, o deputado federal Hugo Motta, atual presidente da Câmara dos Deputados. Essa proximidade faz com que o candidato ao Senado esteja inevitavelmente exposto também ao debate nacional envolvendo o grupo político e o caso Master
Isso não significa atribuir a Nabor responsabilidade por fatos eventualmente relacionados a terceiros. Mas, em uma campanha eleitoral, a associação política e familiar é inevitavelmente utilizada pelos adversários para tentar influenciar a percepção do eleitor.
É nesse ambiente que a campanha de Nabor terá de enfrentar o desafio de transformar conhecimento político em votos efetivos — e, principalmente, impedir que questionamentos sobre sua passagem pela Prefeitura de Patos e sobre seu grupo político se convertam em rejeição eleitoral.
O eleitor ainda não deu a palavra final
O que a pesquisa mostra é outra coisa: Nabor está entre os candidatos que precisam administrar um índice relevante de rejeição, enquanto a campanha entra em sua fase decisiva.
E eleição não se vence apenas com conhecimento do nome. É preciso conquistar o eleitor que ainda está indeciso, reduzir a resistência daqueles que rejeitam a candidatura e ampliar a votação para além das regiões onde o candidato possui maior força política.
No caso de Nabor, o desafio é ainda maior: convencer o eleitor paraibano de que sua experiência política e administrativa é suficiente para levá-lo de Patos ao Senado, apesar das controvérsias e investigações que passaram a acompanhar sua trajetória recente.
