Preocupado com o avanço da oposição nas pesquisas de intenção de voto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva investe em um pacote de bondades para obter dividendos eleitorais. Lula entrou no que aliados chamam de “modo cobrança” e tem pressionado auxiliares a apresentar resultados rápidos porque, no seu diagnóstico, a comunicação do governo ainda não conseguiu demonstrar o que vem sendo feito.

Se por um lado os indicadores macroeconômicos são favoráveis ao governo, com inflação dentro do intervalo de tolerância da meta, desemprego na mínima histórica e crescimento do PIB, por outro as pesquisas indicam que a economia continua sendo uma das principais preocupações dos brasileiros.
O crescente endividamento das famílias, com a taxa de juros nas alturas, é o que mais causa apreensão no presidente a menos de sete meses das eleições. Na lista das medidas em estudo por Lula estão iniciativas para reduzir a conta de luz e diminuir o custo do rotativo do cartão de crédito.
A equipe econômica também vai regulamentar o uso do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o crédito consignado privado e avalia outras formas de reduzir os juros para as famílias. Procurado, o Ministério do Trabalho não quis se manifestar sobre isso.
Na semana passada, Lula se reuniu com ministros para acertar detalhes de um empréstimo de aproximadamente R$ 7 bilhões às distribuidoras de energia elétrica.
A linha de crédito será criada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para minimizar o aumento das tarifas de energia neste ano de eleições.
Na avaliação de Lula, o aumento das tarifas de luz é mais um fator que pode ter impacto negativo nas urnas e há receio de que a guerra no Oriente Médio contribua para a elevação desses preços.
As últimas pesquisas com simulações de segundo turno assustaram o governo ao mostrar um empate técnico entre o presidente e o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Palácio do Planalto e seu principal adversário.