O Projeto +Proteção Quilombola, uma iniciativa do Governo da Paraíba gerido pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (Sedh), segue se expandindo pelas Comunidades Quilombolas do Estado. Nessa quinta-feira, (12), mais três comunidades foram beneficiadas no município de Serra Branca, na Região do Cariri; Cantinho, Lagoinha e Ligeiro de Baixo, as duas primeiras com os cursos de Corte e Costura; e na terceira, o curso de Inteligência Artificial. O projeto já promoveu cursos em comunidades quilombolas de João Pessoa, Conde, Pombal e Alagoa Grande.
O Projeto objetiva qualificar as mulheres das comunidades quilombolas para o mercado de trabalho por meio da oferta de cursos profissionalizantes nas áreas de: Corte e Costura, Artes Visuais (com foco em elementos da cultura local); Artesanato e Identidade Cultural Quilombola; Embelezamento (cabelo e unha) e Inteligência Artificial para Jovens. Em todos os cursos, existe um módulo que trata da Assistência Social e Direitos Sociais. São ofertadas 50 vagas e carga horária mínima de 30 horas, e ministrados por meio de parceria com a Associação dos Quilombos da Paraíba e da Associação de Promoção do Desenvolvimento Local (APDL).
Segundo a secretária de Estado do Desenvolvimento Humano, Pollyanna Werton, o curso escolhido leva em consideração a necessidade e interesse de cada comunidade. “Os cursos foram definidos a partir de conversas com as comunidades, levando em conta a vocação e especificidades de cada localidade. Na verdade, algumas mulheres até tinham essas habilidades, mas precisavam se especializar, qualificar melhor os seus serviços para desenvolverem o empreendedorismo, tanto pegando serviços de fora em casa, como também se deslocando para trabalhar em oficinas de costura ou ateliês que precisam dessa mão de obra. Então, não é só um curso, não é só diplomar essas mulheres e sim diplomar entendendo a qualificação que o mercado de trabalho absorve”, explicou.

Ela adiantou que “também se trata de uma reparação histórica, porque são quilombos e essas mulheres precisavam se habilitar para desenvolverem seus talentos e a costura é um deles”.
Adaiuza Lima, moradora do Quilombo Ipiranga, é um dos casos de mulheres que já têm conhecimento prático na arte da costura, porém quer aprimorar a habilidade. “Conhecimento nunca é demais e a gente tem que buscar mais conhecimento com quem tem, porque às vezes a gente tem dúvidas de alguma confecção de peça, ou até mesmo um conserto”.
Já a dona de casa Maiane do Nascimento, da Comunidade Quilombola do Gurugi 1, disse não ter habilidade nenhuma com costura e está ansiosa para a oportunidade. “Não tenho noção nenhuma, nem mesmo de costura à mão. Vou aprender agora a costurar e esse curso vai me dar um levante”, afirmou confiante.
Maria Vilma da Silva, que mora no Quilombo Ipiranga, lembrou que fazia reparos, porém não sabia confeccionar roupas e tinha muita vontade de aprender. “Sempre tive vontade de aprender a costurar, pois acho muito interessante pegar um pedaço de pano e transformar em uma roupa”, contou.
