A Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO) da Polícia Civil da Paraíba revelou um esquema sofisticado de comercialização de drogas por meio de plataformas digitais, que tinha como um dos principais articuladores um ex-policial penal, preso no último fim de semana no estado.

De acordo com as apurações, o ex-agente penitenciário fornecia sites e estruturas digitais completas para que traficantes pudessem anunciar e vender entorpecentes pela internet, simulando verdadeiras “lojas virtuais” do tráfico. O esquema ia além da simples venda: o investigado atuava como facilitador tecnológico, oferecendo ferramentas que profissionalizavam e ampliavam o alcance do comércio ilegal.
A prisão ocorreu na noite do sábado (1º), em um trecho da BR-230, entre João Pessoa e Campina Grande, durante uma ação integrada que contou com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O ex-policial penal foi interceptado e conduzido para a Central de Polícia, onde teve a prisão formalizada.
Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início a partir da identificação de sites usados exclusivamente para a venda de drogas, o que chamou a atenção dos investigadores pela organização, padronização e frequência das transações. A partir da análise técnica dessas páginas, os agentes chegaram ao responsável pela criação e manutenção das plataformas.
O caso ganha contornos ainda mais graves porque o suspeito já havia sido preso anteriormente por tráfico de drogas, em 2025, e chegou a utilizar tornozeleira eletrônica. Mesmo após audiência de custódia e sob monitoramento judicial, ele teria retomado as atividades criminosas, agora em um patamar mais estruturado e tecnológico.
As investigações também apontam que o ex-policial penal possui ligações familiares com integrantes de alto escalão do tráfico na Paraíba, o que pode ter facilitado sua inserção e permanência no esquema.
Para a DRACO, o caso evidencia uma nova dinâmica do crime organizado, que passa a explorar o ambiente virtual para driblar a fiscalização, ampliar mercados e dificultar a identificação dos responsáveis. O uso de sites próprios, em vez de redes sociais abertas, demonstra um nível elevado de planejamento e especialização.
A Justiça manteve a prisão preventiva do investigado, e as apurações continuam com o objetivo de identificar outros traficantes beneficiados pelas plataformas digitais, além de possíveis financiadores e operadores do esquema.
O inquérito segue em andamento e pode resultar em novos desdobramentos nos próximos dias, ampliando o alcance da operação contra o tráfico digital na Paraíba.