Nas asas do poder: Hugo Motta lidera farra de jatinhos da FAB em pleno recesso parlamentar

O recesso parlamentar parece não ter sido sinônimo de descanso para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Pelo contrário: janeiro foi um mês de intensa movimentação aérea — e em grande estilo.

Levantamento aponta que Motta foi responsável por 15 dos 87 voos realizados em jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB) no primeiro mês do ano, o equivalente a 17% de todas as viagens, tornando-se o líder isolado no ranking das autoridades que mais utilizaram a regalia. Tudo isso justamente no período em que o Congresso estava oficialmente em recesso.

A lista de destinos inclui Rio de Janeiro, São Paulo, João Pessoa e até viagens internacionais para Cali, na Colômbia, e San José, na Costa Rica. Um roteiro que mais parece agenda de turismo internacional do que compromissos institucionais urgentes.

Mas o que chama ainda mais atenção é o sigilo imposto pelo próprio presidente da Câmara. Alegando “segurança institucional”, Motta se recusou a divulgar os nomes das 11 pessoas que embarcaram com ele em um voo para o réveillon em Angra dos Reis, um dos destinos mais luxuosos do país. Ou seja, quem pagou a conta — o contribuinte brasileiro — não tem o direito de saber quem estava a bordo.

O uso de aeronaves da FAB é permitido para autoridades como ministros, chefes de Poder e comandantes militares, mas o volume e a frequência das viagens levantam questionamentos sobre o limite entre necessidade institucional e conforto pessoal.

Enquanto isso, na primeira semana de fevereiro, foram registrados 18 voos em jatinhos da FAB, com destaque também para o ministro da Educação, Camilo Santana, que realizou sete viagens.

O episódio reforça a percepção de que, em Brasília, o céu não é o limite quando se trata de privilégios. E, no caso de Hugo Motta, o recesso parlamentar não significou parar — apenas mudar o gabinete para 40 mil pés de altitude, com direito a sigilo e mordomia patrocinada pelo bolso do contribuinte.