PF APONTA PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS HUGO MOTTA EM RELATÓRIO SOBRE VIAGEM DE LUXO A LISBOA PAGA POR BANQUEIRO VORCARO  BANQUEIRO INVESTIGADO

A Polícia Federal identificou indícios de que despesas de hospedagem do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) e do senador Ciro Nogueira (PP-PI) em Lisboa, Portugal, teriam sido custeadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, alvo da Operação Compliance Zero.

A conclusão consta de relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações que apuram possíveis irregularidades envolvendo a instituição financeira.

Segundo a PF, mensagens extraídas de aparelhos e e-mails analisados pelos investigadores mostram tratativas para a reserva de acomodações de luxo em Lisboa, em junho de 2024. Em uma das conversas, Vorcaro solicita ao seu auxiliar a reserva de dois quartos para “Ciro e Hugo”. Dias depois, o colaborador informa que duas suítes haviam sido reservadas no hotel Four Seasons.

Os investigadores destacam ainda um áudio enviado pelo banqueiro, no qual ele demonstra preocupação com a privacidade do encontro e pede reforço na segurança do local. A mensagem menciona a necessidade de restringir a visualização de áreas próximas ao restaurante e controlar o acesso ao ambiente.

A Polícia Federal afirma que cruzou as mensagens com documentos encontrados na caixa de e-mails de Vorcaro, incluindo uma fatura referente à viagem realizada no mesmo período. Para os investigadores, os elementos reunidos reforçam a hipótese de que determinados pagamentos estavam relacionados à hospedagem de Ciro Nogueira e Hugo Motta.

De acordo com o relatório, as diárias somaram 3.155,71 euros, valor que correspondia a aproximadamente R$ 18,2 mil na cotação da época.

Questionado sobre o caso nesta terça-feira (16), Hugo Motta afirmou estar tranquilo e declarou que confia no trabalho das instituições. O parlamentar também disse defender uma investigação isenta e imparcial. Até a publicação desta matéria, Ciro Nogueira não havia se manifestado publicamente sobre o conteúdo do relatório.

O caso segue sob análise das autoridades competentes, sem conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade dos citados.