O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) proibiu o juiz Valdemir Ferreira Santos de acessar os sistemas eletrônicos e as dependências do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) e determinou uma fiscalização para analisar decisões tomadas pelo magistrado, afastado do cargo por suposto favorecimento a pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo o CNJ, a medida busca garantir a preservação das investigações enquanto são apurados indícios de que o juiz teria interferido em processos para beneficiar investigados na Operação Carbono Oculto 86.
Entre as suspeitas estão o arquivamento de uma investigação mesmo após denúncia do Ministério Público, a revogação de medidas judiciais e a retirada de provas de um processo que tramitava em outra vara.
A Operação Carbono Oculto investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC por meio de uma rede de postos de combustíveis no Piauí, Maranhão e Tocantins. Segundo a Polícia Civil, o grupo investigado movimentou cerca de R$ 5 bilhões em operações consideradas suspeitas.
O Tribunal de Justiça do Piauí informou, em nota, que cumprirá integralmente as determinações do CNJ e afirmou que os fatos serão apurados pelas autoridades competentes.
Entenda o caso
O juiz Valdemir Ferreira Santos foi afastado cautelarmente de suas funções por decisão do CNJ, anunciada na terça-feira (30). O Conselho investiga se o magistrado tomou decisões para favorecer investigados ligados à Operação Carbono Oculto 86. Até o momento, a defesa do juiz não se manifestou. O espaço segue aberto para posicionamento.
