O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), entrou no centro de uma nova crise política em Brasília após a divulgação de mensagens que revelam uma relação de proximidade com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, atualmente alvo de investigações. As conversas, obtidas pela Polícia Federal e reveladas pela imprensa, incluem mensagens de caráter pessoal entre os dois. Alcolumbre nega qualquer irregularidade.

O problema político para o presidente do Senado vai além das mensagens. Alcolumbre passou a ser cobrado diretamente pela oposição pela não instalação da CPI destinada a investigar o caso Banco Master. O requerimento chegou ao Senado com número suficiente de assinaturas, mas a comissão não foi instalada.
A disputa chegou ao Supremo Tribunal Federal. Em setembro, o ministro Cristiano Zanin negou pedido de liminar apresentado pelo senador Alessandro Vieira para obrigar o Senado a instalar a CPI. Na decisão, Zanin afirmou que não ficou comprovada, naquele momento, a omissão do presidente da Casa.
A blindagem virou o principal argumento da oposição
É justamente nesse ponto que a oposição concentra seus ataques.
Senadores críticos à condução de Alcolumbre questionam por que uma investigação apoiada por parlamentares não avançou e cobram explicações sobre as relações entre figuras do poder e pessoas ligadas ao Banco Master.
As mensagens divulgadas pela imprensa aumentaram a pressão porque mostram uma relação próxima entre Alcolumbre e Vorcaro. Segundo a Folha, as conversas incluem demonstrações de amizade, participação em eventos privados e até referências a uma tentativa de identificar a fonte de uma jornalista. A reportagem ressalta, porém, que Alcolumbre não é alvo de investigação formal ou operação relacionada ao caso Master.
Conselho de Ética também entra na crise
Outro flanco aberto é o Conselho de Ética do Senado.
O senador Carlos Viana, por exemplo, anunciou em setembro ter protocolado uma petição para eventual representação contra Alcolumbre por não pautar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
A ofensiva coloca Alcolumbre diante de uma cobrança institucional que mistura três temas explosivos: Banco Master, relações com Daniel Vorcaro e a condução de pedidos de investigação e impeachment dentro do Senado.
A sucessão de 2027 já começou a ser discutida
Alcolumbre foi eleito presidente do Senado em fevereiro de 2025 com 73 dos 81 votos. Marcos Pontes e Eduardo Girão, então candidatos à Presidência da Casa, receberam quatro votos cada. O mandato da atual Mesa termina em fevereiro de 2027.
Agora, a sucessão volta ao radar em meio ao desgaste político provocado pelo caso Master.
Pontes e Girão estão entre os parlamentares que fizeram oposição à condução de Alcolumbre. O resultado da eleição da próxima Mesa, entretanto, dependerá da composição do Senado após as eleições de 2026 e das articulações que ocorrerão nos próximos meses.
O fato político é que Alcolumbre, que chegou à Presidência do Senado com uma votação expressiva, agora enfrenta uma sequência de cobranças envolvendo a CPI do Banco Master, o Conselho de Ética, pedidos de impeachment de ministros do STF e a divulgação de mensagens com Daniel Vorcaro.