Sapé em Alerta: O Projeto de Poder Familiar Encalha e a Primeira-Dama Desaparece da Lista dos prováveis Eleitos

Quem diria que transformar a prefeitura em extensão do próprio domicílio eleitoral e colocar a esposa no altar da salvação política municipal poderia dar errado? Pois é. Nos bastidores sapeenses, o clima não é de contagem regressiva para a festa da vitória, mas de pânico coletivo digno de quem esqueceu o forno ligado com o bolo dentro. A candidatura de Denise Ribeiro — a insubstituível primeira-dama e aposta de última hora do alcaide Major Sidnei — conseguiu a proeza de sumir da lista dos 36 prováveis eleitos para a Assembleia Legislativa da Paraíba. Um verdadeiro feito de invisibilidade estatística.

O choque foi tão forte que os aliados mais otimistas tiveram que engolir o discurso de “já ganhou” e começar a ensaiar a clássica desculpa de que “o importante é competir”. Afinal, por que o eleitorado de Sapé haveria de cometer a desfeita de não abraçar com entusiasmo patriótico a sagrada missão de garantir uma boquinha na Assembleia para a patroa do prefeito? É muita ingratidão dessa gente que insiste em dividir votos com outros candidatos, como se a cidade pertencesse ao povo e não a um projeto de poder familiar.

O prefeito de Sapé Major Sidnei, é verdade, tentou o seu melhor. Deu chilique em palanque, convocou a população como se estivesse convocando tropa para a caserna e transformou a eleição da esposa na oitava maravilha do mundo moderno. Só esqueceu de combinar com o eleitorado e com os próprios aliados que abandonaram o barco antes mesmo de o navio afundar de vez. Escolher o partido a dedo, perder apoios estratégicos no meio do caminho e ainda acumular aquela caprichada coleção de processos judiciais — de licitação de combustível a suposta usurpação de função — são apenas pequenos detalhes pitorescos que a oposição maldosista insiste em transformar em escândalo. Coisa menor, meros percursos burocráticos de quem governa sob o signo da perseguição cósmica.

Mas calma, nem tudo está perdido. Para provar que o povo está com ela, a campanha apostou no velho e infalível kit “carreata e arrastão cinematográfico”, com direito à bênção de figurões da política estadual como Hugo Motta. Porque, afinal de contas, barulho de escapamento furado e buzinaço às três da tarde sempre foram excelentes comprovantes de urna eletrônica lacrada.

Agora restam apenas um dia e a dúvida cruel que atormenta o sono do Major: será que toda a máquina pública mobilizada, as promessas de praxe e o carisma avassalador da primeira-dama serão suficientes para operar o milagre das urnas? Ou será que o eleitor de Sapé vai cometer a heresia de deixar a soberana fora da festa? A conferir, com pipoca e muita cautela.