O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Djairlon Henrique Moura afirmou nesta terça-feira, em audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), ter recebido ordens para operação de fiscalização de veículos com eleitores do Centro-Oeste e do Sudeste que se dirigiam ao Nordeste, dias antes das eleições de 2022. Moura alegou, contudo, que a ação foi encerrada antes do segundo turno e que não houve um direcionamento político.
De acordo com Moura, a orientação foi passada pelo então diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, e pelo então diretor de operações, Fernando de Souza Oliveira. O
— O DPF Fernando, a época diretor de operações, teria nos solicitado a realização de uma operação antes da eleição, que fique claro, antes da eleição, dos ônibus que estariam saindo de São Paulo e da região Centro-Oeste em direção ao Nordeste do Brasil, com possíveis votantes e recursos financeiros.
Na denúncia, que gerou a ação penal, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que Silvinei e o então ministro da Justiça, Anderson Torres, empregaram recursos e fizeram reuniões para tentar dificultar o deslocamento de eleitores do presidenteLuiz Inácio Lula da Silva na Região Nordeste — onde o petista teve votação expressiva.
Em 30 de novebro de 2022, dia do segundo turno das eleições, a PRF fiscalizou 2 mil ônibus na região Nordeste e 571 no Sudeste. Esse direcionamento de blitzes em rodovias de estados do Nordeste levou a Polícia Federal a investigar se os bloqueios tinham finalidade política, de impedir a circulação de eleitores, sobretudo de Lula.
Moura, que era diretor de operação da PRF na época, foi ouvido nesta terça como testemunha de defesa de Torres na ação penal que analisa uma suposta tentativa de golpe de Estado.
Ele foi indiciado no ano passado pela Polícia Federal (PF) pela suposta atuação da PRF para atrapalhar deslocamento de eleitores no Nordeste na eleição de 2022. Por isso, não teve o compromisso de dizer a verdade sobre os fatos investigados.
Na semana passada, Adiel Pereira Alcântara, ex-coordenador de inteligência da PRF, prestou depoimento na mesma ação, como testemunha de acusação, e relatou que Moura teria dado uma ordem para fiscalizar veículos que iam para a região Nordeste.
Nesta terça, Moura confirmou a orientação, mas disse que foi para uma operação realizada antes do segundo turno da eleição.
— E assim foi feito, a gente coordenou essa operação, fizemos a operação, resolvemos ampliar para todo o Brasil. E isso não tem, no meu ponto de vista, nenhum direcionamento, porque isso é uma prática até comum de acontecer nas eleições, apreensões de ônibus circulando entre estados com eleitores