PINDURADO : Governo deve seguir pagando mais de R$ 1 trilhão de juros, mesmo com queda da Selic

dívida pública deve continuar cobrando uma conta trilionária em juros, apesar do início, na semana passada, do ciclo de cortes da Selic. Enquanto o alívio na parcela que acompanha as variações da Selic deve vir aos poucos, dada a tendência de redução lenta dos juros de referência, o restante da dívida, mais sensível ao risco fiscal do que às decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), continuará sendo refinanciado a um custo elevado.

As projeções de mercado coletadas pelo Banco Central (BC) indicam que, após atingir 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, a despesa com juros da dívida pública deve subir mais um pouco, para 8% em 2026. A partir daí, a tendência é de retração gradual, mas sem retorno à média histórica de 6% ao longo de todo o horizonte de projeções, que se estende até 2035.

Levando em conta as previsões para o PIB, isso significa que, por mais dois anos (2026 e 2027), o setor público seguirá com uma fatura de R$ 1 trilhão em juros a pagar. O ano passado foi o primeiro em que a marca foi superada, ainda que os ganhos excepcionais do BC com swaps cambiais tenham impedido as despesas financeiras de serem ainda maiores. Como essa contribuição não deve se repetir, a cifra deve ter um acréscimo de R$ 30 bilhões em 2026.