Venda de sentenças em MT investigados usaram dinheiro para compra de imóveis e veículos de luxo diz PF

Os investigados que supostamente estão comercializando decisões judicias em Mato Grosso usaram o dinheiro do esquema para comprar casas e veículos para dissimular a origem ilícita dos valores, segundo a Polícia Federal. As investigações identificaram sucessivas operações imobiliárias suspeitas promovidas pelos investigados. Nesta sexta-feira (20), foi deflagrada a 2ª Fase da Operação Sisamnes.

Por determinação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal ,são cumpridos mandados de busca e apreensão, afastamento das funções públicas de servidores do Poder Judiciário, proibição de contato e saída do país, recolhimento de passaportes, além do bloqueio de R$ 1,8 milhão dos investigados e o sequestro dos imóveis adquiridos pelo desembargador João Ferreira Filho.

De acordo com a PF, um dos mandados foi cumprido em um endereço de uma pessoa ligada ao desembargador. Embora não haja mandados contra o magistrado nesta fase da Operação Sisamnes, ele foi alvo de busca em uma etapa anterior. 

Ainda segundo a polícia, na casa da mulher, os agentes encontram uma porção de cetamina – anestésico de uso humano e veterinário que se tornou uma droga ilícita na década de 1980. A mulher foi encaminhada à sede da PF para prestar esclarecimentos. Já o material encontrado foi levado para perícia.Venda de sentenças em MT

Em agosto, os desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho foram afastados das funções no Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT), por suspeita de envolvimento em vendas de decisões judiciais.

Em 26 de novembro, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas dos dois desembargadores, durante a primeira fase da Operação Sisamnes, em Cuiabá. Na ação, a PF também prendeu o lobista Andreson Gonçalves, apontado como intermediário das vendas.

Segundo a polícia, a operação investiga os crimes de organização criminosa, corrupção, exploração de prestígio e vazamento de informações sigilosas.Desde então, os dois magistrados estão sendo monitorados por tornozeleira eletrônica, informou a PF. Eles também tiveram os passaportes apreendidos, além de bloqueio de bens e valores.

Em nota, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) informou que está ciente do caso e se colocou à disposição para o fornecimento de informações necessárias ao andamento das investigações.