Uma reunião realizada entre o presidente da Câmara Municipal de Baía da Traição, Ronaldo do Mel, e representantes do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), ganhou forte repercussão nos bastidores políticos do município após a entrega de relatórios contendo denúncias, registros fotográficos e apontamentos sobre a situação de escolas municipais, obras públicas e possíveis irregularidades administrativas.


















Acompanhado do procurador da Câmara Municipal, Tawã Teixeira, Ronaldo apresentou uma série de documentos produzidos após visitas institucionais realizadas em diferentes localidades do município. O material entregue ao Tribunal descreve um cenário considerado alarmante, envolvendo desde estruturas escolares comprometidas até uma obra pública abandonada há mais de uma década.
Além disso, também foram encaminhados questionamentos sobre a execução do calçamento do Alto do Tambá, obra atribuída à empresa Meta Construções, situação que passou a despertar comentários e dúvidas diante da recorrência da empresa em processos licitatórios municipais.
Nos bastidores, o assunto passou a ser tratado como um caso que exige aprofundamento técnico dos órgãos de fiscalização.
Escola Maria das Dores Borges: muro com risco de desabamento, lixo e ameaça à segurança

Um dos principais documentos apresentados ao TCE refere-se ao relatório produzido após visita ao Colégio Maria das Dores Borges, realizada no dia 15 de maio de 2026. A inspeção foi conduzida pelo presidente Ronaldo Fernandes Chaves, pelo vereador Ederaldo e pelo suplente Astro.
Segundo o relatório, a equipe foi até a unidade escolar após denúncias e reclamações de moradores sobre as condições sanitárias e estruturais existentes na área. Durante a visita, foram identificadas irregularidades consideradas graves.
Entre os problemas apontados estão:
- muro nos fundos da unidade com sinais de comprometimento estrutural e possibilidade de desabamento;
- ausência de manutenção adequada em áreas externas;
- acúmulo de resíduos de construção e entulhos;
- lixo e água parada próximos a galerias;
- risco de proliferação de insetos e doenças;
- sensação de abandono;
- deficiência no sistema de drenagem;
- risco à integridade física de estudantes e moradores.
O documento destaca que a situação encontrada poderia colocar em risco estudantes, servidores e pessoas que transitam diariamente pelo local.
Aldeia São Francisco: escola abandonada há 12 anos virou símbolo de desperdício de recursos públicos
Outro relatório entregue ao Tribunal chamou ainda mais atenção pelo estado de abandono descrito.
A fiscalização realizada na Aldeia São Francisco identificou uma unidade escolar inacabada e sem funcionamento há aproximadamente 12 anos, desde a gestão do ex-prefeito Messias. O cenário encontrado pela equipe parlamentar foi definido como preocupante e cercado por sinais de abandono prolongado.
Conforme o documento, a escola nunca foi concluída e permanece sem qualquer finalidade educacional. O relatório aponta crescimento excessivo do mato, deterioração estrutural e ausência completa de manutenção.
Entre as irregularidades encontradas estão:
- obra pública abandonada há cerca de 12 anos;
- estrutura escolar inacabada;
- ausência total de limpeza;
- vegetação tomando toda área externa;
- ambiente favorável à presença de insetos e animais peçonhentos;
- deterioração física provocada pelo abandono;
- ausência de iluminação e monitoramento;
- risco de depredação do patrimônio público;
- inexistência de informações sobre conclusão da obra.
Mas um dos pontos mais delicados encontrados pela comissão foi a descoberta de uma família vivendo dentro da estrutura abandonada. O relatório relata que uma criança com deficiência reside no local em situação de vulnerabilidade social.
A situação ampliou a preocupação dos parlamentares, que cobraram medidas não apenas estruturais, mas também assistência social imediata.
Meta Construções entra no centro das discussões
Além da questão educacional, a reunião no TCE também serviu para levar questionamentos relacionados ao calçamento do Alto do Tambá.

Segundo informações apresentadas, a responsabilidade pela execução estaria ligada à empresa Meta Construções. O tema passou a levantar dúvidas diante da frequência com que a empresa aparece como vencedora em processos licitatórios no município.
A documentação apresentada ao Tribunal busca justamente provocar uma análise técnica e aprofundada sobre a regularidade dos procedimentos e da execução das obras.
Fiscalização ganha novos desdobramentos
A ida do presidente da Câmara Municipal vereador Ronaldo do Mel ao TCE marca uma nova etapa da atuação fiscalizadora do Poder Legislativo municipal. Acompanhado do procurador Tawã Teixeira, Ronaldo do Meu transformou relatórios de visitas em documentos oficiais encaminhados ao órgão de controle.
Agora a expectativa gira em torno dos próximos passos do Tribunal de Contas e das possíveis medidas administrativas que poderão ser adotadas diante das denúncias apresentadas.

