A eleição presidencial de 2026 ainda está em fase de articulações, mas o presidente do PSD e candidato a vice-presidente, Gilberto Kassab, decidiu antecipar o tom da disputa. Durante encontro com cerca de 200 empresários, em São Paulo, na quinta-feira (13), Kassab afirmou que a possibilidade de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vencer a eleição presidencial seria “zero”.
A declaração ocorreu ao lado do candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, e coloca mais um ingrediente na guerra política que começa a se desenhar antes mesmo da abertura oficial da campanha.
Kassab, conhecido por sua habilidade de transitar entre diferentes campos políticos e manter canais abertos com governos de variadas correntes ideológicas, não fez uma crítica genérica. Foi direto ao ponto: descartou publicamente a viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro.
A frase tem peso político porque parte de um dos principais articuladores partidários do país e surge em um ambiente estratégico: uma reunião com empresários, justamente um setor que costuma ser disputado intensamente pelos candidatos ao Palácio do Planalto.
O recado de Kassab
Ao declarar que a chance de vitória de Flávio seria “zero”, Kassab não apenas atacou um possível adversário. Também procurou reforçar a tese de que a corrida presidencial pode estar aberta para candidaturas que tentam ocupar espaço fora da polarização tradicional.
Ao lado de Ronaldo Caiado, o dirigente do PSD sinalizou que o partido pretende entrar na disputa presidencial apostando na construção de uma alternativa competitiva.
Na prática, a declaração funciona como uma tentativa de desmontar, antes mesmo da campanha ganhar força, a ideia de que o sobrenome Bolsonaro, por si só, seria suficiente para garantir uma candidatura presidencial competitiva.
Bolsonaro continua sendo ativo eleitoral, mas sucessão é outra disputa
A fala de Kassab também toca em um ponto central da eleição de 2026: a capacidade de transferência de votos.
Flávio Bolsonaro carrega um dos sobrenomes mais conhecidos da política brasileira e integra o núcleo central do bolsonarismo. Mas transformar força política familiar em vitória nacional é um desafio diferente de simplesmente herdar um eleitorado.
É justamente nesse terreno que adversários devem concentrar seus ataques: questionar se o eleitor bolsonarista permanecerá integralmente unido em torno de um único nome e se haverá espaço para outras candidaturas de direita e centro-direita.
A declaração de Kassab indica que essa disputa já começou — e sem a tradicional diplomacia dos bastidores.
PSD entra no jogo com Caiado

A presença de Ronaldo Caiado no encontro reforça o objetivo político do PSD: apresentar uma candidatura própria e disputar protagonismo nacional.
Ao atacar diretamente a viabilidade de Flávio Bolsonaro, Kassab ajuda a desenhar uma estratégia de confronto com um dos campos políticos que devem disputar o eleitorado conservador.
A guerra, portanto, não será apenas entre direita e esquerda.
Dentro do próprio campo oposicionista, partidos e candidatos já começam a disputar espaço, influência e, principalmente, a narrativa de quem terá condições reais de chegar ao segundo turno.
Kassab resolveu deixar sua aposta pública.
Para Flávio Bolsonaro, o desafio será provar nas urnas que, em política, “chance zero” também pode ser apenas uma frase — especialmente quando dita quase dois anos antes da eleição.