Grupo ligado a Vorcaro teria recorrido ao PCC para protegê-lo na prisão: “É amigo nosso”

Mensagens analisadas pela Polícia Federal colocam um novo e explosivo elemento no caso envolvendo Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo reportagem da coluna de Natália Portinari, no UOL, integrantes da chamada “Turma”, grupo armado investigado por atuar em favor do banqueiro, teriam buscado apoio do Primeiro Comando da Capital (PCC) para garantir proteção a Vorcaro enquanto ele estava preso.

A expressão usada nas conversas chama atenção pela proximidade atribuída ao banqueiro: “amigo nosso”. O conteúdo, segundo o UOL, foi identificado em mensagens obtidas pela Polícia Federal e integra o conjunto de informações que vem sendo analisado nas investigações relacionadas ao Banco Master.

Do sistema financeiro ao submundo do crime

O caso ganha uma dimensão ainda mais grave porque a “Turma” não aparece nas investigações como um simples grupo de segurança privada. Mensagens já reveladas pela imprensa indicam a existência de uma estrutura organizada para levantar informações, monitorar pessoas e intimidar supostos adversários de Vorcaro.

Reportagem publicada nesta segunda-feira (14) pela Folha de S.Paulo aponta que o grupo teria estrutura profissional, com pagamentos de aproximadamente R$ 400 mil mensais, além de integrantes envolvidos em levantamentos de informações sigilosas e ações de intimidação.

Segundo a publicação, a PF investiga a atuação de diferentes grupos contratados para atender interesses relacionados a Vorcaro e às empresas de seu conglomerado.

Uma investigação que não para de revelar novas conexões

A revelação sobre uma suposta tentativa de aproximação com o PCC ocorre em meio a uma sucessão de descobertas extraídas de celulares e documentos apreendidos pela Polícia Federal.

O material já levou investigadores a examinar contatos de Vorcaro com autoridades, empresários, advogados e políticos. Também há registros de pedidos de ajuda feitos pelo banqueiro a integrantes do poder público, embora as mensagens, por si só, não comprovem que todos esses pedidos tenham sido atendidos.

Em outro episódio, o próprio Vorcaro relatou ter sofrido intimidações durante o período de prisão e afirmou que teria sido questionado sobre preferência entre o pavilhão do Comando Vermelho e o do PCC. As declarações foram feitas em depoimento ao ministro André Mendonça.

O ponto mais grave

A informação sobre o suposto pedido de apoio ao PCC precisa ser tratada com precisão: as mensagens indicam a busca por apoio, mas isso não significa, por si só, que o PCC tenha efetivamente oferecido proteção a Vorcaro ou que tenha ocorrido qualquer ação da facção em favor dele.

O que está documentado, segundo a reportagem, é a existência das conversas analisadas pela PF e a tentativa atribuída a integrantes da “Turma” de acionar integrantes da organização criminosa.

O episódio acrescenta mais uma camada ao caso Banco Master, que deixou de ser apenas uma investigação sobre operações financeiras e passou a envolver suspeitas e apurações sobre lavagem de dinheiro, organização criminosa, intimidação, circulação de informações sigilosas e relações com diferentes setores de poder.