
A Polícia Federal voltou a fechar o cerco contra uma organização criminosa suspeita de movimentar milhões de reais por meio de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. Na manhã desta quinta-feira (2), foi deflagrada a quinta fase da Operação Unha e Carne, ampliando as investigações sobre a estrutura financeira que, segundo os investigadores, sustentava atividades ilícitas e mantinha uma complexa rede de ocultação de patrimônio.
A ofensiva mobilizou equipes da Polícia Federal para cumprir três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão em imóveis localizados nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, ambos no estado fluminense.
As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o sequestro de aproximadamente R$ 22 milhões em bens e valores, numa tentativa de descapitalizar o grupo investigado e impedir a continuidade das movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Contabilidade paralela e suspeitas de caixa oculto
De acordo com a Polícia Federal, o avanço das investigações ocorreu após a análise de documentos apreendidos nas fases anteriores da operação. O material revelou a existência de uma contabilidade paralela, utilizada, em tese, para lavar recursos de origem ilícita.
Os investigadores também identificaram registros que apontam para supostos pagamentos indevidos e doações eleitorais consideradas irregulares, fatos que agora passam a integrar o conjunto de provas analisadas pela investigação.
A apuração busca esclarecer a origem dos recursos, identificar todos os beneficiários e verificar a possível participação de outros envolvidos na engrenagem financeira da organização.
Investigação atende determinação do STF
A quinta fase da Operação Unha e Carne integra as medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”.
Na decisão, o STF atribuiu à Polícia Federal a responsabilidade de aprofundar as investigações sobre a atuação das principais organizações criminosas violentas em atividade no estado do Rio de Janeiro, especialmente suas conexões financeiras, políticas e eventuais vínculos com agentes públicos.
Com o bloqueio milionário de bens, novas prisões e a apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos, a expectativa é que esta etapa da operação revele novos integrantes do esquema e amplie o alcance das investigações sobre um dos mais complexos sistemas de lavagem de dinheiro investigados pela Polícia Federal nos últimos anos.
