“Palco para os de fora, humilhação para os da terra”: artistas acusam prefeita de Cajazeiras de hipocrisia, discriminação e calote após o São João

Os holofotes do São João de Cajazeiras já se apagaram, mas a revolta dos artistas locais continua acesa. Dois meses após as apresentações, músicos da cidade denunciam que ainda não receberam pelos shows realizados durante a programação oficial e acusam a prefeita Corrinha Delfino de praticar uma política de discriminação contra os artistas da terra, privilegiando atrações de fora enquanto desprestigia quem representa a cultura local.

A indignação ganhou força depois que um dos artistas classificou a gestora como “hipócrita”, afirmando que o discurso de valorização da cultura cajazeirense não passa de marketing institucional. Segundo ele, na prática, a administração municipal trata os artistas locais como coadjuvantes de uma festa construída justamente sobre as tradições da região.

As denúncias vão além do atraso nos pagamentos. Um dos músicos relata ter sido obrigado a deixar o camarim reservado aos artistas locais para dar lugar a outro cantor que não fazia parte desse grupo. O episódio, segundo os denunciantes, simboliza o tratamento desigual dispensado pela organização do evento.

Para os artistas, a situação representa uma clara demonstração de discriminação. Enquanto as atrações nacionais receberam estrutura, visibilidade e tratamento diferenciado, os profissionais de Cajazeiras afirmam ter enfrentado falta de respeito, desvalorização e, até agora, a ausência do pagamento pelos serviços prestados.

A contradição, segundo os músicos, é evidente. A prefeita Corrinha Delfino utiliza o discurso de incentivo à cultura local em eventos e pronunciamentos oficiais, mas, conforme denunciam os artistas, adota uma postura completamente diferente nos bastidores, onde prevaleceriam o descaso, a exclusão e o tratamento inferior aos profissionais da própria cidade.

A cobrança também recai sobre a prioridade dada às atrações nacionais. Embora reconheçam a importância desses artistas para o evento, os músicos locais questionam por que aqueles que representam a identidade cultural de Cajazeiras acabam sendo tratados como se ocupassem um papel secundário na principal festa popular do município.

A pergunta que fica é inevitável: qual é o verdadeiro valor que a gestão municipal atribui aos artistas da terra? Porque, segundo os denunciantes, discursos não substituem respeito, valorização ´já que os valores pagos aos artistas de fora e 50 ,ou 100% mais caros e pagamento em dia.

A reportagem mantém o espaço aberto para que a Prefeitura de Cajazeiras se manifeste sobre as acusações de atraso nos pagamentos, suposta discriminação contra os artistas locais e o episódio envolvendo a retirada de um músico do camarim durante os festejos juninos.