Banco Master: suspeitas alcançam Nunes Marques e ampliam pressão sobre o STF

Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro colocam pessoas próximas ao ministro Nunes Marques no centro das investigações; magistrado nega qualquer relação indevida

A crise envolvendo o Banco Master ganhou mais um capítulo nesta terça-feira (22). Mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro passaram a levantar questionamentos sobre relações envolvendo pessoas próximas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo reportagem da VEJA, um escritório ligado à advogada Camila Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), teria firmado contrato de até R$ 427 milhões com o Banco Master. Nas mensagens atribuídas ao círculo de Vorcaro, o casal aparece associado à expressão “turma do KN”, referência que a reportagem relaciona às iniciais de Kassio Nunes Marques.

As mensagens também registram pedidos envolvendo hospedagens, eventos e outros benefícios destinados a pessoas próximas ao ministro. A existência dessas referências, contudo, não constitui, por si só, prova de que Nunes Marques tenha participado dos contratos ou utilizado sua função para favorecer o Banco Master. A própria reportagem ressalta que não há provas concretas de que o ministro tenha votado em processos do Master ou proferido decisões em benefício da instituição.

Filho do ministro também aparece nas mensagens

O caso ganhou outra dimensão depois que mensagens analisadas pela investigação indicaram que Kevin Marques, filho do ministro e advogado, teria sido contratado por R$ 500 mil mensais.

Nunes Marques se declarou impedido de participar, em 15 de setembro, do julgamento que analisava questões relacionadas aos vínculos de Alexandre de Moraes com o caso Master. Na ocasião, justificou a decisão também pela condição de presidente do TSE e pelas possíveis repercussões sobre sua atuação à frente da Justiça Eleitoral. (VEJA⁠)

A defesa de Kevin Marques, porém, contesta a versão de que ele tenha recebido dinheiro diretamente do Banco Master. Segundo a manifestação publicada pela VEJA, o advogado recebeu R$ 281,6 mil da empresa Consult, por serviços jurídicos especializados na área tributária, e a defesa afirma que a atuação não tinha relação com o STF.

Nunes Marques reage

Em nota, o ministro afirmou que nunca trocou mensagens com Daniel Vorcaro, nunca fez pedidos ao banqueiro e nunca votou a favor dele ou do Banco Master.

Nunes Marques também classificou como “irresponsáveis” as tentativas de estabelecer relação entre sua atuação no STF e os serviços prestados pelo filho ou por terceiros.

Sobre um processo mencionado nas mensagens, o ministro explicou que inicialmente constava impedimento porque havia participado do caso quando era vice-presidente do TRF-1. Posteriormente, segundo sua própria manifestação, entendeu que o impedimento técnico não se aplicava e votou. Afirmou ainda que o processo não tratava especificamente do Banco Master, mas de uma tese com potencial aplicação a diversas empresas.

Um caso que ultrapassou o Banco Master

O episódio expõe uma questão maior: até onde chegavam as relações do entorno de Daniel Vorcaro com autoridades, advogados e pessoas próximas ao Judiciário?

O caso Master já havia colocado o STF sob forte pressão depois da divulgação de mensagens e documentos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes e ao escritório de advocacia de sua esposa. A Polícia Federal identificou, entre outros elementos, contrato milionário entre o Banco Master e o escritório.

Agora, novas mensagens ampliam o alcance das perguntas e colocam outros nomes no radar das investigações.

O ponto central, portanto, não é transformar suspeita em condenação. É justamente o contrário: esclarecer, com documentos, contratos, registros e decisões judiciais, quais relações eram profissionais, quais eram pessoais e se alguma delas teve influência sobre decisões públicas.

Enquanto isso, as explicações dos envolvidos passam a ser parte essencial do caso. E, diante de cifras que chegam a centenas de milhões de reais, qualquer dúvida sobre a separação entre relações privadas e o exercício da função pública precisa ser esclarecida com transparência.

O Banco Master deixou de ser apenas uma história sobre a queda de um banco. Tornou-se uma investigação sobre dinheiro, influência, relações e os limites entre o interesse privado e o poder público.